Os garotos foram incumbidos do dever de se tornarem homens, e nesse dever reside a ideia eterna do sacrifício, que não deve, de forma alguma, ser ignorada por razões torpes. O homem puro não temeu a morte, pois a vida em conformidade com Deus lhe bastava. Isso foi o simulacro da redenção máxima ao agir conforme as diretrizes estabelecidas pelo divino. E aqui me refiro ao que dissertamos sobre valores civilizacionais e não civilizacionais, essa harmonia que une homens comuns em ações coletivas, buscando significados superiores às meras convenções comercialistas e ao conforto.
O homem sempre transcendeu, em determinado período do tempo, o dever máximo de agir e clamar por algo superior a si mesmo, de ser e sentir tudo aquilo que buscava como sonho. Pois, se não fôssemos sonhadores, não apenas restaria uma realidade fria, como estaríamos destinados a renegar a verdade, renegar o superior, renegar a redenção e viver uma vida limitada ao hoje, repleta de covardia e submissão a entes que englobam nossos mais repugnantes vícios. Estaríamos fadados à eterna repetição dos dias em uma penumbra cinzenta, sem vida e sem sentido.
Aos que vivem em um mundo que esqueceu esses valores, não temas. Aquilo que um dia foi perdido será recompensado quando o mundo estiver clamando por novos heróis, clamando por respostas em meio a uma imensidão de falsas respostas e inverdades. Seja a chama que ligará as pessoas em um único propósito. Intervenha de forma estoica, como um guerreiro destemido, como a mais pura e ininterrupta ação: a de viver.
As ações determinam a história. Elas permanecem cravadas para sempre no passado, mas podemos mudar o curso no presente. Ou a direcionamos, ou outras forças a direcionarão para caminhos obscuros, resultado de uma vida sem luta, que culmina em uma existência sem significado. Não se trata de uma luta por legados ou reconhecimento, não buscamos isso. Isso não é sobre egoísmo. Trata-se de ações corretas fundamentadas em visões adequadas de mundo. Essa ação se estende, supera o egocentrismo esdrúxulo e desconectado do seu país e do seu povo.
Erga-se diante das impurezas do mundo contemporâneo que denigrem, subjugam e aprisionam a mente do homem puro em meio aos vícios. Seja o agente que extirpará da face da terra tudo aquilo que não presta, como uma ação constante de autorreparação, em conformidade moral com aquilo que é belo e justo. O patrono és tu, guerreiro. És o merecedor daquilo que o destino lhe reserva.
O homem dentro de ti já não suporta mais o fardo de apenas existir. Ele quer mais, quer fazer mais, quer deixar mais no mundo. Essas coisas são naturais e nascem em todos os homens, pois somos incumbidos desde o nosso nascimento da vontade de exceder, lutar e proclamar um sonho a ser realizado, como uma profecia. Não há mais tempo para divagações. Há o que deve ser feito e há o que deve ser evitado.
Não existe simetria entre ponderar ambos, pois isso é incompatível. Não se deve entregar aos vícios sob o pretexto de agir corretamente apenas quando exigido. O erro continuará sendo a mentira e, enquanto estivermos dentro dela, tais erros sugarão nossa alma para a prática de coisas imorais e caluniosas. Seja, mais uma vez, esse simulacro da importante missão divina imposta a todos nós, homens. O que esperamos é viver em função do justo e do verdadeiro.
