A verdade, embora seja dificilmente tateável, sempre foi nosso objetivo final, nosso bastião. Poderíamos mudar totalmente nossa visão como causa se provássemos que estamos errados, pois a verdade, sendo atemporal e universal, não requer apresentações; ela é o que é, e isso basta. Mas nunca conseguiram, e trabalhamos duro justamente para desmontar falácia atrás de falácia em prol da conclusão de nossos projetos duradouros, e isso embarca até nossas próprias visões e parceiros.

Mas, como o próprio nome deste texto diz, nem tudo que reluz é ouro, pois nem sempre veremos o certo, assim como nem sempre veremos o errado com os bons estigmas que a verdade carrega, nem com a imoralidade que a mentira traz consigo. Em tempos contemporâneos, muita informação é proliferada e muita desinformação também, e temos a ascensão de milhões de nichos específicos, cada um deles com seu próprio conceito de verdade ou, quando não, a renegam categoricamente. Então, como encontrar a verdade ou qualquer resquício dela em um mar de opiniões polarizadas? Essa é a pergunta.

O conceito de ideologia carrega uma boa parcela dessa culpa, pois os que militam não adequam a ideologia à verdade, mas adequam a verdade à sua ideologia, a fim de se manterem corretos, certos, verdadeiros. A pauta para eles nunca foi alcançar a verdade, e sim o sucesso de seus experimentos sociais, pois isso é um fim em si mesmo para a conclusão de obras que consideram vantajosas, mesmo que isso atente contra algumas respostas encontradas no caminho. E, mesmo reconhecendo as limitações, todos nós já estamos cansados de ouvir as mesmas desculpas e promessas vazias, a fim de continuarem legítimos.

Nossas próprias instituições morais, que já estão em declínio há algumas décadas, perderam qualquer compasso moral que possuíam e servem apenas como cabo de guerra entre frentes polarizadas que só se importam com poder de barganha, política de pão e circo e humanismo iluminista francês. Brigam, discutem e regozijam-se por um cachorro morto que é a nossa velha república declinada. Nós já superamos qualquer ideia de sequer ousar cogitar tocar nesse campo. A velha política já está longe de qualquer retorno, pois, quando uma planta nasce torta, não basta endireitar o caule, é preciso cortar o mal pela raiz e plantar algo novo.

Para o bom homem em forma de arquétipo que exaltamos, este não se prenderia a ideologismos, nem puramente à própria ideia de politicagem como a conhecemos. Veja, a negação da política não precisa ser vista como um convite ao eremitismo, mas como a ideia de que não precisamos do mesmo modelo enquanto instituição de um status quo ruim. O guerreiro político sempre foi algo em que nos respaldamos, assim como os estoicos, que se viam como sábios que precisavam guiar os homens à verdade. Mas não estamos aqui para apenas apontar erros, e sim para encontrar a paz, a verdade, a plenitude moral e tudo aquilo que importa para uma mente sadia. Quando observamos os movimentos sociais, todos eles muito entranhados no cotidiano de nossas cidades, acabam criando um enorme desserviço a tudo que poderia representar algo civilizacional ao mundo.

Certamente, se não para conquistar uma virtude perfeita, ao menos em função de uma vida civil, é útil nutrir-se de opiniões de veneranda antiguidade e seguir uma tradição antiga de nobres ações, que os historiadores e toda a estirpe dos poetas transmitiram à memória dos contemporâneos e dos posteriores. Crísipo, 739B.

Se não for para nos dedicarmos a boas obras e coisas belas, do que mais precisaríamos? Esse posicionamento levou homens ao inevitável declínio da permissividade a coisas não civilizacionais. Pois a exaltação de um comportamento incompatível e não civilizacional não é benéfica, e isso sempre foi um ponto importante do ideário. Esse simulacro de “não é comigo” é uma faca de dois gumes. Por toda a história da humanidade, instituições, sejam morais ou não, regularam, ditaram e propiciaram as ascensões e declínios de civilizações pelas pautas nas quais se basearam e permitiram. Renegar as instituições e abdicar delas é um problema grave e degenerativo.

Sem falar que os mesmos que nos atacam e renegam nossas instituições e valores anseiam por nossa morte, censura e escárnio. Como já somos duramente censurados, a sociedade atual, com suas bases no Estado Democrático de Direito, nos considera agentes subversivos que atentam contra essas instituições que, ao nosso ver, estão falidas. Por conta disso, precisamos ter muito cuidado com o que falamos e defendemos.